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POLCA no Inova Amazônia Summit: a biodiversidade como identidade de território

17 de set.
4 min de leitura

Atualizado: há 5 horas

Card de participação de Paula Bueno no evento Inova Amazônia Summit

A convite do SEBRAE, a designer Paula Bueno representou o estúdio em um painel que debateu como as marcas locais podem ajudar a fomentar seus territórios ao se inspirarem na biodiversidade. Aqui, ela compartilha seu ponto de vista dessa participação que aconteceu em Rio Branco (Acre), no dia 17 de setembro de 2026. 

Por Paula Bueno


Estar presente em espaços onde o futuro da bioeconomia, do design e da sustentabilidade é debatido com seriedade e profundidade é motivo de entusiasmo, mas, acima de tudo, um compromisso com o nosso propósito aqui da POLCA. Isso porque somos um estúdio de design que se inspira nos biomas e na cultura ao nosso redor para levar para o cotidiano um olhar original sobre o nosso lugar, ainda tão pouco retratado: o centro-oeste fronteiriço brasileiro. Fazemos isso através de produtos que vestem o corpo e a casa com estampas impressas manualmente aqui no estúdio, em tecidos de origem natural. 


Participar do Inova Amazônia Summit foi também um exercício de afinidade e empatia, afinal, a Amazônia, assim como o Pantanal, é um território que merece ser melhor conhecido e tem um potencial enorme a ser trabalhado por seu próprio povo e amplificado para o Brasil e para o mundo.



“A biodiversidade como identidade de território: do ativo natural à marca regional”

Compondo este painel, levei ao debate perspectivas do design enquanto ferramenta para criação de produtos originais e significativos para o território, abordando a biodiversidade como inspiração para diversas linguagens e como fomentadora da identidade de um território. Compartilhei também o ponto de vista de quem empreende a partir desse olhar para a natureza e para a cultura, explorando as dores e delícias desse ofício.


Fernando Cassibi, Paula Bueno, Celeste Suruí e Evelyne Labanca no painel sobre biodiversidade no Inova Amazônia Summit

Estive ao lado, no painel, de Celeste Suruí, a primeira barista indígena do Brasil, do povo Suruí de Rondônia, que mostrou que é possível chegar longe ao abraçar um ativo local que se impôs ao seu território, o café. Eles conquistaram a nota máxima 100, inédita em uma avaliação internacional, através do cultivo manual, realizado em sistemas agroflorestais, unindo a preservação da floresta à valorização da economia indígena.


Evelyne Labanca, arquiteta e urbanista pernambucana, trouxe ao painel a perspectiva do desenvolvimento urbano entrelaçado à conservação territorial, mostrando como o planejamento e as políticas públicas podem estar em comunhão com a proteção da biodiversidade, levando à dinamização econômica com estratégias propositivas de futuro para cidades e regiões, trazendo exemplos preciosos ao debate. 


O painel foi mediado por Fernando Cassibi, chefe de divisão de propriedade intelectual do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que fomentou a troca de visões sobre como transformar os recursos e saberes da nossa terra em propostas autênticas com valor agregado.


Além da importância de exaltar os nossos territórios e os nossos olhares para eles, debatemos como evitar que a sua valorização transforme a identidade territorial em um discurso superficial ou estereotipado, entre outros questionamentos que buscamos responder trocando experiências e certos de que não há uma única resposta, ou um único caminho. 



Uma imersão em inovação socioambiental


O Inova Amazônia Summit reuniu uma programação voltada ao fortalecimento do ecossistema de bioeconomia da região. Não foi um trabalho fácil escolher qual dos painéis simultâneos assistir, já que os temas eram muito interessantes. A feira de negócios trouxe a exposição e comercialização de bioprodutos dos mais diversos (também desafiador para quem precisa escolher o que levar). A programação também englobou startup showcases, rodadas de conexão entre empreendedores e investidores, oficinas práticas de inovação, cozinha show e espaços dedicados ao networking estratégico. 


Mapu Huni Kuin em apresentação no Inova Amazônia Summit 2026
Mapu Huni Kuin

Para descansar, um redário e o Spa da Floresta foram construídos, a chamada Casa do Seringueiro — uma estrutura de madeira sustentável inspirada nas habitações tradicionais do Acre. As noites se encerraram com apresentações de artistas locais e ali me emocionei com o show e a presença de Mapu Huni Kuin, cantor e compositor, uma das vozes contemporâneas do povo Huni Kuin.

Conhecer tantas iniciativas e conversar com quem produz a partir do seu território reforçou a noção de que os pequenos empreendimentos guardam as grandes preciosidades da inovação, justamente pela proximidade de quem cria e produz com a autenticidade e consistência do resultado final. Essa proximidade com o processo faz com que cada detalhe carregue propósito e verdade, tornando a proposta não só mais consistente, mas visceralmente conectada à história e às raízes do nosso território.



Rio Branco outra vez


Estar em Rio Branco é um alegre retorno. Estive aqui em 2015 em uma turnê de dança pelo norte do país e a conexão com a cidade foi imediata. Temos muito em comum, o Acre e o Mato Grosso do Sul: a influência da Bolívia (também comemos saltenhas), o hábito de tomar tereré, o calor que não dá trégua, a influência dos libaneses e claro, as tradições de diversas etnias indígenas, que nos mostram diferentes formas de ver o mundo.

Dessa vez visitei o Museu dos Povos Acreanos e pude conhecer melhor a formação, as origens e a história deste lugar querido para mim, assim como a visão contemporânea de seus artistas, como a incrível exposição Placa Mãe, de Fabiano Carvalho. Voltei ao Mercado Velho, que tinha na memória as pessoas com suas cadeiras no domingo, a assistir ao rio passar (que pena que a erosão avançou sobre a calçada). Visitei também a loja Made in Acre, que tem muitas semelhanças com a POLCA, pelo engajamento de alimentar o senso de pertencimento local. De noite, me entreguei ao risoto de rabada com jambu fresco e redução de tucupi picante no Jannu´s Bistrô (bravo!).  

Fachada do Mercado Velho em Rio Branco Acre

Eu me lembro da surpresa em ver o tamanho enorme das folhas de algumas espécies que compõem o paisagismo natural de Rio Branco, de querer levar pra casa essas folhas caídas e depois encontrá-las esculpidas em borracha no Mercado Velho, em peças para usar sobre a mesa. Aquela foi uma inspiração direta de como a biodiversidade pode ser traduzida em produtos. E agora volto aqui, anos depois, a retribuir com o meu olhar para este tema. Espero ter conseguido inspirar a quem assistiu ao painel, com a minha contribuição, representando o trabalho do estúdio POLCA no Inova Amazônia Summit. Obrigada Sebrae Nacional pelo convite!

 
 
 

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